domingo, 20 de outubro de 2013

Ourique aposta forte na promoção da literatura



Ourique aposta forte na promoção da literatura (notícia avançada pelo Correio do Alentejo).


De acordo com dados do portal estatístico “Pordata”, criado pela Fundação Francisco Manuel Santos, Ourique é o município português que mais investe em literatura.
Segundo as contas do portal, a Câmara Municipal ouriquense dedica 56% do seu orçamento para despesas em cultura e desporto à literatura.
Para o presidente da Câmara de Ourique o investimento em literatura nada mais é do que parte de uma estratégia mais abrangente de aposta no conhecimento.
A par da Biblioteca Municipal Jorge Sampaio, inaugurada em 2010, com uma equipa que se desloca às freguesias, da realização de cerca de 600 actividades de promoção da leitura e de acesso ao livro, o investimento alarga-se a outras áreas complementares.
“Investimos nas escolas, nos equipamentos pedagógicos e nas novas tecnologias. Apoiamos cerca de 80 alunos com bolsas de estudo no ensino superior. É um investimento amplo e muito significativo que tem o cuidado de não deixar ninguém de fora, de mobilizar todos, sobretudo as novas gerações para um conhecimento mais qualificado”, refere ao "CA" o autarca Pedro do Carmo.
A distinção do Município de Ourique por parte do portal “Pordata” surge em plena época de contenção orçamental generalizada, onde Ourique não é excepção.
No entanto, é nos momentos de maiores dificuldades, defende Pedro do Carmo, que o poder local deve fazer mais e melhor, nomeadamente nas áreas “que respeitam às vivências das pessoas”.
“O concelho de Ourique é um concelho com uma população idosa significativa, com atrasos em muitas áreas que nos últimos oito anos temos tentado inverter. E a aposta no conhecimento, na literatura e na educação é essencial para inverter esse atraso, o que estamos a conseguir. A nossa responsabilidade é preparar no presente as gerações do futuro. E quanto melhor preparadas estiverem maior é o sucesso da nossa terra”, sublinha.
A grande aposta da autarquia ouriquense na literatura tem sido mais incisiva e original nas faixas etárias mais novas, como forma de investimento futuro e fomento precoce no gosto pela leitura e pelo livro.
Actividades como as oficinas de mediação leitora “De pequenino é que se torce o livrinho” (onde são feitas as mais diversas actividades lúdicas relacionadas com determinadas histórias e livros), as horas do conto, sessões com contadores de histórias, com a participação dos estabelecimentos escolas e pré-escolares do concelho, têm servido para aguçar o interesse dos mais novos, explica a responsável pela Biblioteca de Ourique, Cristina Ernesto.
“Os mais novos interessam-se mais pela literatura, talvez porque trabalhamos os livros e as histórias de forma diferente. Mas o que temos visto é que as actividades que fazemos com eles faz com que eles voltem e procurem aquele livro específico ou um que se relacione com determinado tema que trabalhámos, e vemos esta evolução com a quantidade de livros que cada aluno requisita por mês. Penso que é uma boa estratégia. Se é a única? De certeza que não, mas é um bom começo para mudar o futuro”, refere.

sábado, 19 de outubro de 2013

lançamento de "O Prazer dos Estranhos" de Rui Herbon - Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca

notícia retirada de Local.Pt


SANTIAGO DO CACÉM – No próximo sábado, dia 19 de outubro, às 16h00, decorre, na Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca, em Santiago do Cacém, o lançamento do livro O Prazer dos Estranhos, de Rui Herbon, vencedor da 9.ª edição do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, promovido pela Câmara Municipal de Santiago do Cacém.

A obra vencedora foi anunciada o ano passado, ano em que decorreu a 9.ª edição do Prémio.
Rui Herbon fez carreira, durante 10 anos, na área das tecnologias de informação, em empresas do setor financeiro. Em 2001, resolveu fazer uma pausa para escrever um romance. Desde então dedica-se exclusivamente à escrita.
Publicou os romances Voar como os pássaros, chorar como as nuvens: um filme português (Prémio Eixo-Atlântico de Narrativa Galega e Portuguesa), em 2004; Absinto – a inútil deambulação da escrita (Prémio António Paulouro), em 2005; Os girassóis, em 2008; e O romper das ondas (Prémio Cidade de Almada), em 2008. Em 2010, foi publicado o conto A chave (Prémio Branquinho da Fonseca de Conto Fantástico).

Em 2008, venceu o Prémio Maria Matos com a obra dramatúrgica Masoch e, em 2010, conquistou o Grande Prémio do Teatro Português com o texto O álbum de família (editado pela Imprensa Nacional Casa da Moeda), levado à cena pelo Teatro Aberto em 2011.
Participou em diversos encontros literários e, em 2009, esteve na residência de escritores Hald Hovedgaard, na Dinamarca.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Opinião: "Cartas de Mariana Alcoforado" de Leonel Borrela por Jorge Lage Ligado

Jorge Lage Ligado publicou no Netbila (informação e para a divulgação da cultura regional, em especial da região de Trás-os-Montes e Alto Douro) uma opinião da obra Cartas de Mariana Alcoforado de Leonel Borrela que aqui transcrevemos:


Quando vamos a algum local só «vemos» o que os nossos sentidos permitem. A realidade pode ser diferente. Mas, em Maio último fomos a Beja apresentar o nosso livro «As Maias entre mitos e crenças» e enriquecemo-nos com novos amigos.
Em Beja, conheci o ilustre Leonel Borrela (LB), amigo do barrosão Hélder do Alvar e uma referência da cultura bejense, embora nascido em Loulé. De LB recebemos «Cartas (de) Soror Mariana Alcoforado».
Ao recebê-lo pensei que era mais um livro sobre a desafortunada freira bejense com um oficial do exército francês. Porém, esta obra fez com que mudasse a data que tinha na minha cabeça. A Soror Mariana (freira por obrigação familiar e não por vocação), no séc. XVII, apaixonou-se por um oficial francês que veio ajudar Portugal na Guerra da Restauração, sob o comando do marquês Schomberg, e não das Invasões Francesas, como eu supunha.
Outra constatação, à medida que ia avançando na leitura, foi que LB é um dos maiores coleccionadores, se não o maior, com cerca de 500 obras sobre Mariana Alcoforado.
Assim, esta obra, base da sua tese de mestrado, dá-nos a garantia de ser escrita por um especialista alcoforadino. LB é, ainda, museologista (Museu Regional de Beja) e um especialista em edições de livros antigos.
O seu livro, «Cartas (de) Soror Mariana Alcoforado», está dividido em duas partes: «Das Lettres Portuguaises e Mariana Alcoforado» e as «Cartas de Mariana».
Comecemos pelas Cartas que Soror Mariana escreveu ao seu amado, Noel Bouton, oficial do exército francês, conde de Chamilly-Saint-Lèger, foram editadas pelo livreiro parisiense Claude Barbin, em 1969, sob o título de «Lettres Portugaises traduite en François (sic)».


Estas cartas por serem escritas por uma freira (obrigada a ir para o convento), em pleno séc. XVII, despertaram um interesse enorme na França e um pouco por todo mundo e geraram edições sobre edições, com arranjos, acrescentos e ilustrações. Passado algum tempo, surgiu a polémica se teriam sido mesmo escritas pela desditosa freira.
Ao que parece, as cartas ter-se-ão perdido numa missão de guerra do conde de Chamilly na actual Turquia e quando não aparecem os originais entra a fantasia em acção.
Quanto a nós, depois de lermos esta obra achamos que foram escritas pela Soror Mariana. Por exemplo, no título original da publicação vem, «Lettres Portugaises traduites…». Se diz «Cartas Portuguesas traduzidas…» é porque existiam as originais portuguesas. As duas personagens desta trama também existiram. Os locais de Beja, entre eles o «Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Beja», onde se deram os amores proibidos, ainda hoje existem. A Soror Mariana Alcoforado, não era uma pessoa analfabeta como querem alguns detractores da autoria fazer crer, foi escrivã e vigária do convento das Freiras Clarissas. Uma pessoa de distinta família e instruída.
Depois de ler e meditar, penso que a esta polémica não será alheia alguma arrogância gaulesa relativamente ao nosso país, seguida por «meninos de coro» desta tese, em que se contam portugueses e brasileiros.
A primeira parte do livro de LB é uma tese desapaixonada e bem documentada, com cópias de originais, gravuras e fotos sobre a imensa obra das «Cartas».
Curioso é saber que os Alcoforado de Beja são originários de Trás-os-Montes e há alguns em Santa Maria de Émeres (Valpaços), ligados à confeccão do «bolo podre».
A primeira grande edição lusa (1888), com muito trabalho de investigação, é do grande mirandelense, Luciano Cordeiro. Fez, em 1894, uma boa sintetizada edição popular e que contribui para a divulgação das «Cartas» num país de analfabetos, seguida de outra de 1891 com álbum fotográfico resultado duma sua deslocação a Beja, em 1890, com o fotógrafo Francisco Camacho.
Também, em 1824, o Morgado de Mateus (Vila Real), fez uma edição bilingue – luso-francesa. O melhor estudo do século XX pertence a António Belard.
Esta obra de rigor pode ser solicitada à editora «100LUZ» ou a Leonel Borrela (963937532). Parabéns ao autor.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Opinião: "O Quebra-Montras" de Ana Luiz

Opinião:
Neste livro vemos uma personagem que, incrédula, verifica que é ele próprio que tem vindo a praticar uma série de pequenos delitos, nomeadamente quebrar montras. Conforme a narrativa avança, vai-se itensificando o mistério. Mesmo quando sabemos que quebra as montras o mistério continua, pois não sabemos ainda porquê.
Um livro pequeno e fácil de ler, ideal para um serão bem passado.

Sinopse:
Pedro era uma pessoa pacata que levava uma vida sossegada. Longe de ser perfeita ou de ser aquela que idealizara, a sua vida estava muito arrumadinha. Construíra uma fortaleza de rotinas que protegiam o seu ritualizado dia-a-dia. Até que um dia, uma ação irreflectida veio mudar tudo. De repente Pedro vê-se envolvido numa espiral de acontecimentos. Um verdadeiro turbilhão emocional apodera-se dele e vira a sua vida do avesso. Estará Pedro à altura dos acontecimentos?

Título: O Quebra-Montras
Editora: Pastelaria Studios
Autora: Ana Luiz
ISBN: 978-989-8629-42-5
Nº páginas: 87

terça-feira, 15 de outubro de 2013

"Andanças para a Liberdade" de Camilo Mortágua

Através da memória do autor ficamos a conhecer andanças de desespero e esperança, e algumas das estórias dos combates contra a ditadura, num inesperado contributo para a História da luta dos portugueses pela Liberdade e pela Demo­cracia.

Volume I: 1934-1961 | De Estarreja ao Santa Maria
Volume II: 1962-1977 (no prelo) | Do Santa Maria ao 25 de Abril… e o que aconteceu depois

Partindo de uma aldeia portuguesa da Beira litoral, estas “Andanças” atravessarão mares e continentes, em viagens de ida e volta. Nos dois volumes desta obra dá-se conta, nomeadamente: do derrube da ditadura venezuelana e das solidariedades com a revolução cubana; da concepção, prepa­ração e execução do assalto ao Santa Maria; da ascensão e queda de Jânio Quadros e da implantação da ditadura militar no Brasil; do assalto ao quartel de Beja e da campanha de Humberto Delgado para a Presidência da República; de certos «mistérios» relacionados com os primórdios da guerra colonial; da preparação e execução da operação VAGÓ (desvio do avião da TAP a partir de Marrocos); das misérias e dos desânimos de quem não se conformava, e das traições entre militantes; da oposição do PCP à luta armada; da preparação e exe­cução do assalto ao Banco da Figueira da Foz e do subsequente apa­recimento da LUAR; dos percursos de muitos dos nossos “líderes” de hoje nesses tempos de Medo e Resistência…

SOBRE O LIVRO:
“Estas «Andanças» de Camilo Mortágua, para além de nos oferecerem uma visão global dos tempos da Ditadura Salazarista, remetem-nos para três valências (3Ms) que no contexto da obra assumem especial relevância: 1) A Metáfora das raízes: não há cultura válida sem ligação às origens; 2) A Mestria da arte de contar: pelo expressivo visualismo que se traduz numa escrita feita de oralidade; 3) O Mito das utopias: daquelas que afinal se tornam possíveis e realizáveis…”, José Rabaça Gaspar

SOBRE O AUTOR:
Camilo Mortágua
Entre os inimigos de Salazar que lutaram de armas na mão contra o Estado Novo destacam-se dois homens: Camilo Mortágua e Hermínio da Palma Inácio ― os últimos revolucionários românticos. A eles se devem os golpes mais espectaculares que abalaram a ditadura. Mas a história da acção directa contra o regime há-de reservar a Camilo Mortágua um capítulo muito especial: participou na Operação Dulcineia, em Janeiro de 1961, comandada pelo capitão Henrique Galvão e inspirada pelo general Humberto Delgado ― o desvio do paquete português «Santa Maria», que seria o primeiro acto de pirataria dos tempos modernos. Mais tarde, com Palma Inácio e outros companheiros, fundaria a LUAR.
Nos últimos anos tem trabalhado na concepção e implementação de programas e projectos de desenvolvimento local, assim como na mobilização de pessoas e grupos socialmente desprotegidos e na animação e organização de comunidades em risco de exclusão.
Presidente da DELOS Constellation, Association International pour le Developpement Local Soutenable (1994-2002). Presidente da APURE, Associação para as Universidades Rurais Europeias. Grande Oficial da Ordem da Liberdade da República Portuguesa.

Este livro foi publicado com o apoio de:
ADRACES – Associação para o Desenvolvimento da Raia Centro-Sul
APURE – Associação para as Universidades Rurais Europeias
Câmara Municipal de Alvito
Câmara Municipal de Estarreja

domingo, 6 de outubro de 2013

escritaria - Mário de Carvalho

Escritaria, em Penafiel, é dedicada a Mário de Carvalho. Saiba mais aqui.


Escritaria

Vataça, a favorita de D. Dinis de Francisco do Ó Pacheco


Vataça Lascaris nasceu na Ligúria, mais concretamente, em Ventimiglia, perto de Génova, filha do Conde Guillermo Pedro e de Eudóxia Lascaris, cerca de 1268. Vataça Lascaris, a que a História de Portugal chamou, não poucas vezes, Rainha e Princesa da Grécia, foi sobrinha do último Imperador de Niceia, João IV Lascaris, deposto e aprisionado em 1261, quando o imperador bizantino Miguel VIII Paleólogo, após a conquista de Constantinopla, pôs fim ao império de Niceia. Por razões que a História não apurou, mas que a mente dos homens se encarrega sempre de explicar, Eudóxia Lascaris seria repudiada por seu marido e expulsa de Ventimiglia, com seus cinco filhos. Acolhidos então na Corte de Pedro III de Aragão, Vataça torna-se amiga íntima de Isabel, que acompanhará, mais tarde, para Portugal, quando da consumação do casamento de Isabel com o rei D. Dinis, em 1282. O prestígio dos Lascaris nas Cortes europeias irá servir ao rei de Portugal para várias relações diplomáticas: - Entre Portugal e a Galiza, casando Vataça Lascaris com Martim Anes de Soverosa. Mais tarde, enviando Vataça Lascaris para a Corte de Castela, como camareira-mor de sua filha Constança, quando esta desposou, em 1302, o rei de Castela, Fernando IV. E, obviamente, mantendo uma constante ligação a sua mãe e a seus irmãos, na Corte de Aragão. A pedido de Eudóxia, sua mãe, Vataça regressará a Constantinopla e a Niceia, em busca do tesouro dos Lascaris, mais precisamente, de dois objectos sagrados – a Cruz do Santo Lenho e a Cabeça-Relicário do Papa Fabiano. Após a morte de D. Constança, em 1313, regressa, por mar, a Portugal. Quase que naufraga perto de Sines, onde, em consequência, manda erigir uma capela, em honra de Nossa Senhora das Salvas.  D. Dinis, pelos relevantes serviços prestados à Coroa, outorga a Vataça Lascaris as comendas de Santiago do Cacém e de Panóias, nos Campos de Ourique. A grandiosa obra da Comendadora nas terras das suas comendas torna-a querida das populações alentejanas. Oferece a Cruz do Santo Lenho à igreja matriz de Santiago do Cacém, onde se encontra, e a Cabeça-Relicário do Papa Fabiano à igreja matriz de Casével, actualmente, na Basílica Real de Castro Verde. Vataça Lascaris faleceu em 1336 e encontra-se sepultada na Sé Velha de Coimbra, num túmulo ladeado com as armas dos Lascaris – as águias bicéfalas.