segunda-feira, 18 de novembro de 2013
O Jardim Separado de Luisa Demétrio Raposo
"No “Jardim Separado” as carnes nos ulmos das seivas
faíscam, bélicas, correm contra os bosques, contra a febre monstruosa, a
que lavra íntima, o foder, que referve o meu desnudo sentir. Os actos
abismam-se de dentro do seu próprio cheio maiúsculo, as carnes trémulas o
libertam à espera de palato, da língua, da boca atenta, sugam-se as
carnes ora pelas costas ora pela ponta dos orifícios e lambem-se os
alvoroços abertamente escuros na defloração das inúmeras bocas que um
corpo feminino possui."
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Opinião de Efeito dos Livros: "Os demónios de Álvaro Cobra" de Carlos Campaniço ...
daqui: Efeito dos Livros: "Os demónios de Álvaro Cobra" de Carlos Campaniço ...:
"Quando Álvaro Cobra a despiu com os seus dedos grossos e desajeitados e a pôde, finalmente, ver nua sobre a cama, pensou que se tratava de um milagre, num tempo em que já não havia milagres sobre a Terra, por se ter esgotado a capacidade inventiva dos santos ou a benevolência pedregosa dos homens. Todavia, do mal dos divinizados não padecia o lavrador Álvaro Cobra, que possuía uma imaginação sem arreios..."
Para quem ainda não leu, leia! Boas Leituras.
"Quando Álvaro Cobra a despiu com os seus dedos grossos e desajeitados e a pôde, finalmente, ver nua sobre a cama, pensou que se tratava de um milagre, num tempo em que já não havia milagres sobre a Terra, por se ter esgotado a capacidade inventiva dos santos ou a benevolência pedregosa dos homens. Todavia, do mal dos divinizados não padecia o lavrador Álvaro Cobra, que possuía uma imaginação sem arreios..."
Carlos Campaniço oferece-nos uma galeria de personagens inesquecíveis, que vão de um anarquista à dona de um bordel ambulante, e recicla de forma original o realismo mágico para revisitar as virtudes e os defeitos das pequenas comunidades rurais do nosso Portugal.
Tendo como editora, Maria do Rosário Pedreira, a obra de Carlos Campaniço foi editada em Abril de 2013 pela Teorema, chancela do Grupo Leya. O mesmo título foi destacado com o Prémio Literário Cidade de Almada 2012
É nessa imaginação sem arreios que Carlos Campaniço traz até ao leitor um livro que é puro deleite. Este «Os demónios de Álvaro Cobra» é uma preciosidade tal qual o seu Alentejo, na aldeia de Medinas, e que lhe serve de pano de fundo para todas as maleitas dos Cobra, uma família cheia de eventos e raridades que tocam o bizarro.
O retrato rural, mágico e até surreal do nosso Alentejo é muito bem recheado com personagens assombrosas e dignas de "se lhe tirarem o chapéu". Se o próprio Álvaro Cobra é uma achado, a avó centenária não lhe fica atrás ou a irmã brasa, mesmo meio morta, não deixa de dar mais vivacidade à história.
Se as maleitas e enguiços associados à tenacidade ímpar dos Cobra é por si só dúbia, junte-se ainda, cristãos (precocemente convertidos), árabes e judeus, tudo em ampla convivência, num Alentejo que se reinventa por entre cultos pagãos para uma nova fé monoteísta!?
Para além de religião e culto, encontramos também lendas e mitos associados não só às tradições populares alentejanas, como também do cunho cultural e geográfico herdado da ocupação árabe. O próprio autor afirma a necessidade de se escrever sobre o que se sabe, passando assim ao leitor uma maior credibilidade e conferindo um papel mais forte e real a toda a história.
Apesar de toda a magia que envolve e caracteriza o desfile de personagens deste romance, reconhecem-se nos traços pessoais de muitos deles, muitos de nós, actuais ou antepassados, demonstrando uma óptima análise do ser-se português nas palavras rebuscadas e sonhadoras do autor.
Carlos Campaniço brinda às gentes da aldeia e presta-lhes uma homenagem. É nesta passagem de testemunho que se imortaliza a tradição oral das estórias das gentes, das bichanisses que se cochicham e das histórias orelhudas, que de tanto serem contadas passam a ser verdadeira. Apesar de negra, a história é rica em graciosidade. É a linguagem, é a forma como o autor enlaça os acontecimentos e as personagens, conferindo, mesmo aos regionalismos mais brutos uma certa magia que os tornam belos.
É quase impossível destacar partes deste livro, pois são inúmeras e tenho o livro todo etiquetado, mas existem frases que são verdadeiras tiradas de mestre e nos transportam para uma outra dimensão de pensar a realidade. A ideia da solidão da morte e de o morto (o pai Cobra) não conseguir conviver com essa mesma solidão. Ou o recuo do exército de sapos, não pelos desígnios de deus, mas pelas mezinhas de nómada de Clarinha. Talvez a piada com o nome do padre Jesuíno (Je, do pai e suíno da mãe) ou outras tantas, sejam ainda mais do que o são, se lermos as entrelinhas... a religião pensada com o pragmatismo das gentes simples e que procuram a paz na opinião alheia... a importância de Miss Margot e os pares de pernas de deusas que vêm aliviar as noites... neste livro até o sexo tem cheiro a terra e os dissabores brutos das intempéries.
A própria ligação dos personagens à terra ou a comunicação paranormal com os animais, vista como bruxaria em algumas vezes, mas solução divina, quando assim é preciso. A divagação sobre o credo e tendências de culto tida nas páginas 94 e 95 é simplesmente deliciosa e por certo um pouco de todos nós se revê nalguma daquelas imagem - afinal de contas quem é não vai à apanha da espiga e põe o raminho atrás da porta!?
Em suma, os demónios que apoquentam Álvaro Cobra podem ser os que atormentam qualquer homem, nem santo nem bruxo, esta é uma história dos homens, onde a fé, a dor, o amor, a solidão, a morte, a tristeza e a alegria convivem todos os dias, tornando-nos parte da terra, parte do pó dos dias!
Este livro chamou-me pela primeira vez à atenção pelo título, depois o amigo e conselheiro de leituras Jorge Navarro leu e recomendou e logo de seguida, também Mário Rufino, leu e destacou e como tal, não me poderia passar ao lado. Mais tarde apanho também a entrevista que aconteceu antes do lançamento e na qual gostei bastante de ouvir o autor.
Neste Verão chegou a oportunidade de o ler e fico muito feliz de só agora me despedir dele, revisitando-o e escrevendo sobre ele, pois foi mais uma oportunidade de saborear algumas das passagens que fui destacando.
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
Sem Óculos Cor-de-Rosa de Ana Paula Figueira
Este livro, que conta com ilustrações de Susa Monteiro, dirige-se a um
público infantil mas também ao leitor com mais idade. (Re)visita o
Alentejo desde o princípio do século passado até aos dias de hoje. Foi
concebido por forma a procurar chamar a atenção para profissões ligadas à
produção livreira que deixaram de ser economicamente viáveis face ao
fenómeno da massificação.
Ana Paula Figueira afirma que este seu livro “presta” homenagem ao Alentejo.
Ana Paula Figueira afirma que este seu livro “presta” homenagem ao Alentejo.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
30 anos de jornais no Baixo Alentejo de António José Brito
domingo, 3 de novembro de 2013
Centro dedicado ao livro infantil abre em Beja
Três mil documentos da biblioteca da escritora Natércia Rocha, falecida em 2004, foram doados para a primeira estrutura do género em Portugal.
"A doação foi feita pouco tempo depois da morte da autora", revela Cristina Taquelim, técnica da Biblioteca de Beja. Ao espólio da figura da literatura nacional, junta-se mais material entretanto adquirido pelo espaço público de leitura, para reforçar um serviço que quer ser uma referência nacional. Nesse sentido, compraram-se livros mais recentes, portugueses e estrangeiros, bem como documentação mais atual ligada à psicopedagogia da leitura e escrita.
O sonho é antigo. A cedência de um rico espólio de uma escritora, investigadora e especialista em livros e bibliotecas para crianças foi a cereja em cima do bolo para o arranque do Centro do Livro Infantil e Juvenil. "Pretendemos ter um serviço informativo e de investigação importante para técnicos, mediadores de leitura", explica Cristina Taquelim. São também estes "atores" que podem ajudar o próprio centro a "crescer" e a dinamizar outras atividades, resultantes da partilha de experiência e de saberes, para uma rede de leitura mais enriquecedora. Promover planos de formação contínua na área está igualmente na agenda. "Queremos também colocar Beja no mapa dos centros de formação do país", acrescenta a responsável.
A leitura para além da escola. Os pais como mediadores de leitura. Investigadores e técnicos interessados no tema. O livro infantil no centro das atenções. Repensar e analisar critérios para a escolha da literatura desde que os olhos começam a ler. Saber escolher, saber orientar, ajudar, para que depois os leitores caminhem pelos próprios pés. "Pensar com mais profundidade o que se faz", no âmbito de um programa dedicado a uma rede de leitura saudável. Cristina Taquelim realça a missão dos mediadores de leitura para gente interessada na literatura. "Já não basta contar histórias, ter horas do conto. É preciso que o livro seja o ponto de partida e o ponto de chegada", defende. "Queremos criar um serviço que corresponda às necessidades dos mediadores e repensar o nosso setor infantil, para que seja o mais possível adequado aos mais pequenos", justifica.
O Centro do Livro Infantil e Juvenil abre às visitas no dia 19 de setembro, a partir das 18h30. À noite, pelas 21h30, é feita uma homenagem a Natércia Rocha, autora de uma vasta obra individual e da Coleção 1001 Detetives, em parceria com Carlos Correia e Maria Alberta Menéres. O momento conta com "dois companheiros de estrada" da escritora de Uma nuvem entre telhados e que chegou a manter uma regular colaboração na revista Rua Sésamo. António Torrado e Rui Marques Veloso marcam presença nesse encontro, no qual será exibido um documentário sobre Natércia Rocha, produzido propositadamente para o dia, com um "apoio expressivo" da Fundação Calouste Gulbenkian.
O livro como protagonista. Oficinas da narração, oficinas de mediação leitora, um festival da narração, estafeta de contos, ateliers de leitura e escrita para jovens são algumas das atividades da nona edição de "Palavras andarilhas", organizada pela Biblioteca de Beja. De 20 a 22 de setembro, um dia depois da abertura do Centro do Livro Infantil e Juvenil, o espaço recebe cerca de 300 mediadores de leitura, nacionais e internacionais.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Odemira premeia obra literária sobre igualdade entre homens e mulheres
(daqui)
Contos e poesias podem ser entregues até ao final de novembro
A Câmara de Odemira está a promover um concurso literário cujo tema é a igualdade entre homens e mulheres, podendo os trabalhos, nos géneros conto e poesia, ser entregues até final de novembro, divulgou hoje o município.
A iniciativa, cujo prémio tem um valor de 400 euros, tem como objetivo “promover a reflexão sobre a situação e participação das mulheres e dos homens na sociedade atual”, refere a autarquia.
Podem concorrer autores de qualquer nacionalidade, desde que as obras sejam apresentadas em língua portuguesa, devendo também abordar o tema da igualdade de género, ser inéditas e nunca terem sido premiadas anteriormente.
A entrega dos textos, de conto ou de poesia, decorre até ao dia 30 de novembro.
Segundo o regulamento da iniciativa, as obras serão apreciadas por um júri composto por três elementos, que poderá atribuir menções honrosas, além do primeiro lugar, caso a qualidade dos trabalhos o justifique.
A divulgação dos vencedores será feita em janeiro do próximo ano, referiu a autarquia em comunicado.
O concurso “Odemira Literária” é promovido pelo município alentejano, no âmbito do Plano Municipal para a Igualdade de Género, com financiamento estatal e comunitário e gestão da Comissão para a Cidadania e Igualdade.
Contos e poesias podem ser entregues até ao final de novembro
A Câmara de Odemira está a promover um concurso literário cujo tema é a igualdade entre homens e mulheres, podendo os trabalhos, nos géneros conto e poesia, ser entregues até final de novembro, divulgou hoje o município.
A iniciativa, cujo prémio tem um valor de 400 euros, tem como objetivo “promover a reflexão sobre a situação e participação das mulheres e dos homens na sociedade atual”, refere a autarquia.
Podem concorrer autores de qualquer nacionalidade, desde que as obras sejam apresentadas em língua portuguesa, devendo também abordar o tema da igualdade de género, ser inéditas e nunca terem sido premiadas anteriormente.
A entrega dos textos, de conto ou de poesia, decorre até ao dia 30 de novembro.
Segundo o regulamento da iniciativa, as obras serão apreciadas por um júri composto por três elementos, que poderá atribuir menções honrosas, além do primeiro lugar, caso a qualidade dos trabalhos o justifique.
A divulgação dos vencedores será feita em janeiro do próximo ano, referiu a autarquia em comunicado.
O concurso “Odemira Literária” é promovido pelo município alentejano, no âmbito do Plano Municipal para a Igualdade de Género, com financiamento estatal e comunitário e gestão da Comissão para a Cidadania e Igualdade.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Cantora cipriota Vakia Stavrou canta duas letras da autoria de José Luís Peixot
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