terça-feira, 22 de abril de 2014

De Coração D'Interiores - Um Livro Autobiográfico, Intimista e Narciso.

De Coração D'Interiores - Um Livro Autobiográfico, Intimista e Narciso.:





Este é o meu terceiro livro. Um livro em forma de mim, do que sinto, do que me rodeia. Um livro sempre com o Alentejo como pano de fundo.

Depois de um romance, regresso ao registo assumidamente autobiográfico que, de certa maneira, é um género que me apraz.



Ao longo destas páginas, reúno textos dos últimos anos como se estes fossem olhares escritos. Fotogramas de palavras. Instantes-impulso em que a necessidade de os transcrever foi mais forte do que eu. Como se não tivera mão neles, nem eles mão em mim.



Estou de regresso a um território preferencial. O dos afetos. À escrita do vinho e do fogo. Às pessoas que comigo repartiram caminho. Às silenciosas e inquietas madrugadas.



Este De Coração D’Interiores, como o nome induz, é uma porta escancarada para a casa que habito. Para a intimidade do que escrevo. Para aquilo que tenho de mais sagrado. Para a minha memória.



Em muitos destes textos, recorro à lembrança de um tempo menino que, apesar de longínquo, me continua a perseguir como se de uma interminável empreitada se tratasse. Penso mesmo que terá sido essa a razão que me fez voltar à escrita. A redescobrir nela o prazer solitário de esculpir nas palavras, imagens, sons e cheiros que me acossam, mas que sinto esvaecerem-se a cada dia.



 Relendo detalhadamente as crónicas que aqui publico, dou comigo a pensar que algumas estão impregnadas de gente que já não está entre nós. Gente que, de alguma forma, me terá marcado a existência. Pessoas que partiram, mas que faço questão que continuem vivas nas páginas que aqui lhes consagro.



Deste modo, regresso às ruas da minha terra, a da memória e a da esperança, aos inconfundíveis aromas que perfumam as manhãs aldeãs, aos silêncios ensurdecedores das muitas noites de insónia, aos caminhos calcorreados na solidão do pó, ao desejo inequívoco de ser feliz.



Não sei se estou contente com o resultado alcançado. Provavelmente nunca estarei. Apenas sei que nestas páginas deposito muito do que sou. Um ser cada vez mais taciturno, mais ensimesmado mas, ao mesmo tempo, mais complacente para com os outros homens meus irmãos.



Este livro, feito viagem ao âmago das minhas entranhas, não é mais que uma vontade quase irracional de perpetuar dados momentos. Uma espécie de catarse que não consigo explicar. Um desejo feito impulso que reside para lá de mim. Uma coisa em forma de espanto.


sábado, 12 de abril de 2014

Estremoz: Apresentação do livro «Uma Outra Voz» de Gabriela Ruivo Trindade

Fonte: Elvas News

No Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, irá decorrer no próximo sábado, 12 de Abril, pelas 16h30, a
apresentação do livro “Uma Outra Voz” da autoria de Gabriela Ruivo Trindade, vencedora do Prémio Leya 2013.
Segundo as palavras do presidente do júri do Prémio Leya, Manuel Alegre, “É um romance onde se cruzam histórias individuais com a história colectiva. É um romance onde se cruzam várias personagens e é também a história de uma cidade do Alentejo, Estremoz”.

A apresentação do livro contará com a presença da autora e da editora.

Sobre a autora
Gabriela Ruivo Trindade tem 43 anos e é natural de Lisboa mas a sua família é alentejana, de Estremoz, sendo filha de José Augusto Trindade, ex-vereador da Cultura da Câmara Municipal de Estremoz, e de Maria Felismina Trindade. Vive há 9 anos em Londres e a sua área profissional é a Psicologia. «Uma Outra Voz» é o seu primeiro livro e será editado pela Leya em 2014, em data a anunciar. A autora enviou o seu livro a concurso sob o pseudónimo de Ella Rui, seguindo assim o regulamento do prémio, que é avaliado em regime de “prova cega”, ou seja, sem que o júri conheça a identidade do concorrente.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Feira do Livro de Moura decorre de 26 de março a 6 de abril

Fonte: Sul Informação

A 34.ª Feira do Livro de Moura tem lugar entre os dias 26 de março e 6 de abril, nos pavilhões do Parque de Feiras e Exposições de Moura.
Uma vez mais, a Câmara Municipal de Moura promove esta iniciativa que se tem vindo a afirmar de ano para ano, sendo já uma das mais consagradas do país.
Além da venda de livros a custos reduzidos, a Feira do Livro conta com a apresentação de obras literárias, conversas com escritores, workshops, espetáculos teatrais e musicais e a hora do conto a que terão oportunidade de assistir os alunos do pré-escolar e 1.º ciclo do ensino público e particular e utentes da Appacdm.
De destacar o espetáculo com Nilton e a conversa com a escritora Ana Maria Magalhães.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Opinião por Café de Letras - "D.Teresa de Távora, a Amante do Rei" - Sara Rodi

 
 

D.Teresa de Távora uma mulher belíssima e cheia de sensualidade, com plena consciência das suas capacidades de sedução, encanta D.José...
Numa época em que os interesses da nobreza e clero redigiam intrigas na corte esta mulher foi usada como peão para servir os interesses de um só homem, Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal!

Todo o processo envolvendo a execução dos Távora serviu apenas interesses e continua ainda hoje, sem grandes explicações. A par da extinção da Companhia de Jesus que não serviam qualquer propósito nas intenções de Pombal.

Este livro dá-nos o ponto de vista de alguém que não tinha quaisquer interesses de poder, mas apenas o interesse na obtanção do prazer, de se deliciar com a vidas e as coisas boas que esta possa oferecer. No final, no entanto, D.Teresa não passou de um joguete.

Um livro muito bem escrito e com um ponto de vista interessante.

Obra de Nuno de Figueiredo conquista Prémio Florbela Espanca - Cultura - Sol

Fonte: Obra de Nuno de Figueiredo conquista Prémio Florbela Espanca - Cultura - Sol



A obra "Longo Caminho para Casa", de Nuno de Figueiredo, de Coimbra, foi
a vencedora do Prémio Literário Florbela Espanca 2013, dedicado à
poesia e promovido pelo município de Vila Viçosa, revelou hoje a
autarquia.

No valor de 2.500 euros, o galardão, criado em 1981 pela
Câmara de Vila Viçosa, tem uma periodicidade bienal - sendo
alternadamente atribuído a poesia e ficção - e destina-se a premiar
obras literárias inéditas de língua portuguesa, independentemente da
nacionalidade do autor.

O júri decidiu também atribuir uma menção
honrosa à obra "Lamento das Casas Felizes", de Miguel Aires de Campos,
de Sieci Firenze, Itália.

A edição de 2013 do concurso, dedicada à
poesia, contou com 308 trabalhos inéditos de expressão portuguesa, de
autores das mais variadas nacionalidades.

"Longo Caminho para
Casa", a obra vencedora, será editada em primeira edição pela Câmara
Municipal de Vila Viçosa, numa tiragem de 500 exemplares.

Com este
galardão, o município pretende promover, divulgar e apoiar actividades
culturais de âmbito literário e, simultaneamente, homenagear a poetisa
Florbela Espanca, natural de Vila Viçosa.

Florbela Espanca, autora
do "Livro de Mágoas", "Livro de Soror Saudade", "Charneca em Flor" ou
"Juvenília", é considerada uma das mais brilhantes poetisas de língua
portuguesa de todos os tempos.

A poetisa nasceu em Vila Viçosa, a
08 de Dezembro de 1894, tendo falecido em Matosinhos, na noite de 07
para 08 de Dezembro de 1930, com 36 anos.

Florbela Espanca foi
sepultada naquela localidade do norte, mas os seus restos mortais foram
depois trasladados para o cemitério de Vila Viçosa.

Lusa/SOL

quinta-feira, 6 de março de 2014

Opinião por Entre as Letras: D. Teresa de Távora, A amante do rei de Sara Rodi

fonte: Entre as Letras

de Sara Rodi
Editora: Esfera dos Livros
Páginas: 304
PVP: 18.50

Opinião:

Quem vai acompanhando este meu cantinho sabe que eu gosto muito de ler romances históricos (sobre reis ou romances de época); não me perguntem porquê, simplesmente gosto de saber que estou a ler sobre algo que aconteceu no passado e que estou a aprender com isso.

Este livro foi especialmente engraçado e bom de ler pois falava de uma mulher que não tinha quaisquer problemas em dizer o que queria (mesmo que as coisas que outras raparigas da sua idade não eram capazes de dizer com a vergonha). Esta sua personalidade e boa aparência chamava à atenção de todos os homens e Teresa sabia disso, tanto sabia como gostava dessa atenção. Especialmente quando cai nas graças do rei e se torna sua amante.

É sempre bom conhecer a vida de uma portuguesa que viveu antes de nós e que não tinha vergonha de ser quem era. Principalmente, quando o livro está bem escrito e se torna fácil de ser lido.

Mal posso esperar por ler o outro lido desta escritora: "D. Estefânia, um trágico amor"


Sobre Sara Rodi:

Sara Rodi escreveu o primeiro «livro» aos 6 anos, para oferecer à professora... e desde então nunca mais parou. Conquistou alguns prémios, mas foi no romance que se destacou quando, em 2000, com 22 anos, lançou A Sombra dos Anjos e Frio (reeditado em 2011). Enveredou depois pela área do guionismo e participou na escrita de inúmeras novelas, como Queridas Feras, Mundo Meu ou Vingança e séries para televisão como Uma Aventura ou Maternidade. Criou, com Ana Correia Tavares, O Livro da Minha Vida, que se dedica à publicação de biografias personalizados com edições limitadas. A maternidade fê-la render-se à literatura infanto juvenil e tem já editados mais de 20 livros para o público mais jovem, que leva a escolas e bibliotecas de todo o país.
 
 
Inês Santos

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Opinião por O tempo entre os meus livros - D. Teresa de Távora, A Amante do Rei de Sara Rodi

fonte: O tempo entre os meus livros

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 304
Editor: A Esfera dos Livros
ISBN: 9789896264826


É na voz de D.Teresa que Sara Rodi nos remete para o séc. XVIII, mais propriamente para os anos de 1738 e seguintes, passando pelos sangrentos 1755 (Terramoto de Lisboa) e 1759 (todo o processo dos Távora que culminou com a execução daquela família).

Quem nos fala não é uma mulher perfeita e tem consciência disso. Questiona as suas atitudes, interroga-se sobre aquilo que quer, comete erros e reflete sobre eles. D.Teresa, em jeito de confidência, conta-nos os seus segredos e as suas preocupações, sentindo-se um mero peão em jogos de poder que a ultrapassam completamente. Ama livremente numa época em que isso não é bem visto: as mulheres vêem-na como uma rameira e sentem medo dela; os homens, cobiçam-na.

Mas Teresa questiona também o papel da mulher na sociedade, prometida que estava, desde que nasceu, a seu sobrinho Luís Bernardo. Questiona a fé e o papel da Igreja, as profecias que justificavam os grandes desastres da natureza, como foi o terramoto, através dos pecados cometidos pelos homens.

Este tom intimista, que a autora soube tão bem reproduzir, revela uma imaginação surpreendente tanto mais que só se conhecem os traços gerais da vida de D. Teresa. O que achei espectacular ao fazer esta leitura foi o conseguir aperceber-me quais os factos verídicos que estão por detrás desta história e quais os que saíram da imaginação de Sara Rodi, sem que isso viesse a desfavorecer esta estória. Bem pelo contrário!

Retratar D.Teresa foi, sem dúvida um desafio superado com mestria. As suas ideias revolucionárias e complexas para a época mas também algo ingénuas foram soberbamente postas no papel e levam-nos a criar uma certa empatia com o seu sentir, o seu viver e o seu sofrer!

A capa traduz na perfeição o interior deste livro. Bela, sensual e algo indomável, Teresa de Távora foi alguém que pensava para mais além do que era permitido às mulheres... A autora soube introduzir neste carácter rebelde algumas questões filosóficas como o livre-arbítrio e a predestinação, enriquecendo o romance e tornando-o mais interessante para o leitor.

Recomendo esta leitura, sobretudo para aqueles que gostam de um bom romance histórico!

Terminado em 26 de Agosto de 2013

Estrelas: 5*+

Sinopse

Quando Lisboa tremeu por debaixo dos seus pés, D. Teresa de Távora recordou cada uma das palavras premonitórias que o padre Malagrida lhe escrevera. Cada grito desesperado que ouvia nas ruas destruídas da cidade eram a prova de que era ela a causadora de toda aquela desgraça. Os seus atos pecaminosos. A sua beleza, a sua sensualidade, o adultério vergonhoso que envolvia a sua relação amorosa com o rei de Portugal… Depois do sucesso de D. Estefânia, Um trágico amor, Sara Rodi regressa à escrita para nos contar a extraordinária história de D. Teresa de Távora a amante do rei D. José I. Narrado na primeira pessoa e baseado numa minuciosa pesquisa, somos levados a conhecer a vida desta mulher que viveu no século XVIII. Um século marcado pelo trágico terramoto de Lisboa, a ascensão ao poder de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, e o sangrento processo dos Távora. Nesse fatídico dia de 13 de janeiro de 1759, D. Teresa viu morrer no cadafalso o seu marido Luís Bernardo, o irmão, o sogro, a sogra D. Leonor, cunhados e sobrinhos. Perdeu o nome Távora, arrancado da toponímia e dos brasões, manchado pela vergonha para todo o sempre, e perdeu a liberdade por que tanto havia lutado. D. Teresa de Távora não foi casta. Não praticou grandes obras. Não foi uma esposa fiel. Foi apenas mulher. E esta é a sua história.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O mágico mundo de Carlos Campaniço - opinião de Mário Rufino

fonte: diário digital


Carlos Campaniço (n. 1973, Moura) construiu um extraordinário universo literário, onde cintilam personagens memoráveis.
“Os demónios de Álvaro Cobra”, editado pela Teorema, é um livro que merece toda a atenção dos leitores e da crítica literária.
Medinas, a fictícia aldeia alentejana onde habita a família Cobra, só tem uma porta de entrada e outra de saída. Nela se entra pela primeira página do livro, dela se sai pela última página. Não há mapa que a indique.
Dentro dessa aldeia de pagãos, novos cristãos e judeus, o importante peso da igreja católica na moral é inferior à superstição, aos costumes e aos mitos ancestrais. Por lá passam um anarquista que ensina a escrever e a ler, uma prostituta, dona de um bordel, que deseja casar as suas “meninas” com os homens mais ricos, uma cadela que adivinha o tempo, um pássaro que canta, sem nunca errar, em sincronia com a hora exacta e grifos e mais grifos…
Enquanto visita esse maravilhoso ambiente criado por Carlos Campaniço, o leitor  vai conhecendo as estranhas peculiaridades de cada membro da família Cobra, principalmente de Álvaro.
“ (...) aquela era uma família insólita: o marido com suas singularidades inusitadas e suas coleiras de epítetos; a bisavó, quem sabe, a mulher mais velha do mundo; a cunhada, doente com febre toda uma vida; e a sogra com duas mãos desiguais.”

A história de “Os demónios de Álvaro Cobra” é de abnegação, sofrimento, de derrotas e de vitórias. É uma história sobre o peso do destino e a (in) capacidade para o construir.
A pergunta essencial para a compreensão deste romance cedo se impõe:
Até quando aguentará Álvaro Cobra tanta dor?
O leitor tem, nas suas mãos, um romance de personagens. A narração vai apresentando várias peripécias que tanto podem provocar tristeza ou alegria; serem violentas ou ternurentas, fatalistas ou de esperança. O principal objectivo desses acontecimentos é provocar uma atitude, um gesto, uma palavra, que permita ao autor/leitor assistir a determinado comportamento.
Carlos Campaniço não deixa “pontas soltas”. Tudo está lá por alguma razão. Mais cedo ou mais tarde, o leitor entenderá o objectivo de determinado acontecimento.
A realidade imposta pelo visível e tangível é manipulada de forma coerente e credível.
É inevitável a referência ao realismo mágico. Neste aspecto, o autor parece seguir os mesmos caminhos de Garcia Márquez (Medinas em vez de Macondo), Riço Direitinho (características de algumas personagens de “breviário das más inclinações”), ou de alguma literatura nórdica.
O trabalho lexical é muito relevante. Os regionalismos estão presentes em abundância. O próprio autor faz questão de o mencionar.
“ Até cento e oitenta e duas palavras, capturadas ao regionalismo local, que não coabitavam no seu léxico da Língua Portuguesa, eram berberismos e arabismos falados apenas em Medinas. Mencionou como exemplo, abrindo os braços à multidão, o nome da praça onde estavam reunidos.” Pág. 94
“Os demónios de Álvaro Cobra”, obra vencedora do Prémio Literário de Almada 2012, é um livro marcante devido à capacidade do seu autor em criar e descrever, com muito equilíbrio, um ambiente singular onde habitam personagens que provocam empatia e estranheza no leitor.
O leitor não se esquecerá de Álvaro Cobra.

Mário Rufino